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FATORES PSICOLÓGICOS DO EXCESSO DE PESO – 3/3

29 29UTC Outubro 29UTC 2009

Último post sobre o tema. Boa leitura!

3- Prazer e Excesso de Peso

Embora a comida seja considerada como uma fonte de prazer, Cassius (1990) explica que quem come demais, perdeu a capacidade de sentir prazer. Isto ocorre porque cada vez mais se come rápido e em grandes quantidades; sente-se culpado por isso; desespera-se por perder o controle; forma-se um círculo vicioso, come-se mais rápido para não se sentir culpado. A crítica que o obeso recebe por comer demais acaba interferindo na permissão interna de sentir prazer. Isto pode, talvez, influenciar na sensação de outros tipos de prazeres.

É possível identificar nesta doença justificativa para um tratamento psicológico, por ter uma concepção psicossomática multidisciplinar e um paradigma holístico da ciência. Salientando que elas se inter-relacionam.

Podemos definir psicossomática como sendo uma visão teórica geral sobre a saúde, o adoecer e as práticas de saúde. É um campo de pesquisa sobre esses fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de medicina integral.

É na visão da medicina psicossomática que se encontra o espaço de interação entre os fenômenos psíquicos e os somáticos, superando o dualismo, muitas vezes encontrado entre mente e corpo. Kaplan e Kaplan declaram que a obesidade pode não ser uma onipotente desordem psicossomática, mas provavelmente, a mais significante.

Um dos pioneiros desta visão dentro da medicina Reich (1975) compreende as doenças como “uma experiência psíquica que pode provocar uma resposta somática que produz uma mudança permanente em um órgão”. Segundo ele, esta definição se aplica a todas as enfermidades orgânicas. Considera que os desequilíbrios das funções do corpo, sob qualquer forma, poderiam ser o resultado de uma perturbação geral do funcionamento vegetativo que, em outras palavras, representa uma visão progressiva da função normalmente unitária do mecanismo vital. Por volta de 1920, este era, um dos primeiros conceitos funcional-unitários da relação corpo-mente. Reich também descobriu que atitudes e experiências emocionais podem dar origem a certos padrões musculares, que bloqueiam o livre fluxo de energia no funcionamento do organismo.

Mello Filho (1992) declara que “a percepção Psicossomática implica em uma atitude de individuação do paciente”, valorizando sua história pessoal e fazendo correlação com os sintomas atuais. Segundo Cormillot (1977) este enfoque é fisiológico, psicológico e social. De acordo com esta concepção o estudo do excesso de peso é vista na interação de profissionais da clínica, nutrição, saúde mental, educação física dentre outros, uma atitude holística.

Segundo Capra (1982) e Crema (1989) o holismo significa integração, à parte de um todo. Desta maneira quando se analisa o ser humano sob este prisma, está implícito que ele é formado por um conjunto complexo de estruturas: fisiológica, social, emocional, espiritual, psicológica que se inter-relacionam, acarretando o aparecimento de um problema numa determinada área, passando a afetar todas as outras.

Capra declara ainda, que a nossa cultura identifica o corpo humano como uma máquina, que precisa ser analisada em suas partes, considera o corpo separado da mente, e a saúde sendo definida como ausência de doença. No entendimento holístico é adotada uma outra conduta. A concepção sistêmica dos organismos vivos é a sua base, a saúde é percebida como um processo contínuo e totalmente dependente do meio ambiente natural e social, desta forma, dinâmico e flutuante.

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